segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Óleos para Terapias Ayurvédicas










Óleos e funções terapêuticas

Os óleos utilizam-se em vários sistemas terapêuticos, na medicina ayurvédica, na aromaterpia e muitos tipos de massagens terapêuticas. Estes utilizam-se para modificar rápida e eficazmente o estado de ânimo, aumentar a energia ou reduzir o stress e favorecer o relaxamento.
A medicina Ayurvédica é o sistema de cura mais antigo do mundo e utiliza a massagem com óleos como fonte de cura para muitas perturbações.

Os óleos entram no organismo através do corpo como por exemplo do nariz (nasya) e da pele (massagem). O nariz é um órgão sensorial, e o sentido do olfacto está directamente ligado com o sistema límbico do cérebro, o que ajuda a controlar as emoções, memória, e funções do organismo. Foi demonstrado que os aromas e o sentido do olfacto influenciam a memória, o humor e as respostas corporais, como a frequência cardíaca, respiração, níveis hormonais e reacções ao stress. Estes óleos são absorvidos pela pele e actuam medicinalmente quando transitam para o interior do organismo. Os óleos essenciais podem combater bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos se forem inalados ou absorvidos pela pele, e podem estimular o sistema imunológico a ajudar a restaurar a saúde.


Os óleos essenciais juntamente com um óleo, chamado óleo de base (como iremos ver a seguir) resultam num óptimo óleo terapêutico.


Alguns exemplos de óleos


Óleo de Jasmim:

O óleo de Jasmim tem propriedades anti-espasmódicas (dores menstruais), aromáticas, hipnóticas. É empregue em fricções, na ocorrência de dores nevrálgicas. É ainda afrodisíaco (impotência e frigidez), calmante, anti-depressivo (ansiedade, tensão, nervosismo e insónias) e hidratante. O jasmim apresenta um perfume doce e envolvente.
O óleo desta flor - um dos mais caros do mundo – é utilizado na preparação dos mais valiosos perfumes. Muito ligado ao aspecto feminino, o jasmim inspirava as canções ardentes dos poetas árabes. Era uma das flores mais usadas pelas “favoritas” dos sultões, ao enfeitarem-se para as longas noites de amor. O Jasmim solta a imaginação e deixa a pessoa num estado jubiloso. Num certo sentido o jasmim só pode ser experimentado por completo por quem se ama de verdade, pois ele transcende o amor físico e liberta toda a energia sexual.
Este óleo pode ser misturado com sândalo, rosa e cedro.



Óleo de linhaça:

Por ser um óleo rico em vitamina E, torna-se valioso na recuperação da pele.
A semente de linhaça é originária da planta do linho. As suas sementes são utilizadas como alimento e para fins médicos, pois são emolientes e laxativas, sob a forma de cataplasmas.
Este óleo é utilizado em constipações, gastrite, colite, bronquite, prurido, rouquidão, flebite e reumatismo. As suas sementes deverão ser colhidas perto do verão.


Óleo de Sésamo ou gergelim:


Este é um dos óleos mais utilizados em Ayurveda.
Esta planta tem vindo a ser utilizada desde o século IV a.C. como remédio para as dores de dentes e as doenças das gengivas. Este óleo também é utilizado para cozinhar pois é considerado como condimento e alimento requintado e energético. Este óleo é obtido através das sementes pretas da Sesamum indicum. As sementes e os óleos têm propriedades anti-cancerosas, anti-bacterianas e anti-inflamatórias.
O sésamo contém pelo menos sete compostos que aliviam a dor e é uma rica fonte de antioxidantes. Foi desde sempre um conhecido laxante. Diversos trabalhos de investigação sugerem que o óleo de sésamo tem um efeito potencial contra o cancro devido ao ácido linoleico que transporta consigo. Este óleo desempenha ainda um papel significativo na medicina ayurvédica. Aplica-se sobre a pele durante o abhyanga (massagem indiana) que se centra em 107 pontos do corpo (pontos Marma). Pode ainda ser utilizado para aliviar a ansiedade e a insónia. É um óleo muito estável e pouco sujeito a criar ranço. É muito rico em vitamina A e vitamina E. A vitamina A age como protectora da epiderme e a vitamina E estimula a actividade muscular.
É usado também como base para as fórmulas mais complexas de óleos medicinais. O óleo de gergelim é untuoso, pesado, doce, amargo, adstringente e quente. Está indicado nas doenças originadas por Vata aumentado e também por Kapha, mas deve ser evitado nas doenças de desequilíbrio Pitta por ser um óleo quente (o que tende a agravar o Pitta corporal). Está indicado nos casos de inchaço, quadros dolorosos, alterações musculares, pele seca, envelhecimento precoce, promove a saúde das mamas e da pele, actua rejuvenescendo, aumentando a virilidade e a vitalidade,




Óleo de Girassol:


Contêm as preciosas vitaminas F, pseudo vitaminas que na realidade são ácidos gordos, e vitaminas E, que é reconhecida pelas suas propriedades curativas da pele. É muito aplicado em dores de estômago e tem propriedades febrífugas, hipocolesterolemiantes. Do girassol tudo se aproveita. Assim, por exemplo, as sementes depois de torradas e moídas, podem substituir o café, e delas se extrai também um óleo de mesa anti-colesterol.


Óleo de Coco

O óleo de coco é rico em substâncias antioxidantes e apresenta propriedades funcionais, conferindo diversos benefícios à saúde.

O óleo de coco pode auxiliar no emagrecimento devido ao seu efeito termogênico, que aumenta o gasto energético do organismo, além de causar saciedade. Auxilia também na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares.
Garante o aporte de antioxidantes na pele, actua como excelente hidratante, promove melhora da elasticidade cutânea, confere à pele uma aparência mais jovem e sadia e reduz danos capilares em diversos tipos de cabelos. Pode ser massajado directamente sobre a pele, diariamente, principalmente para peles mais secas.
É também muito utilizado no continente indiano para massagem. O óleo de coco é doce, relativamente leve, untuoso e refrescante. Devido às suas propriedades frias é indicado para os distúrbios do tipo Pitta.
Está indicado nos quadros com alterações cutâneas como fissuras, queimaduras, inflamações, eczemas e infecções por fungos porque possui propriedades antisépticas. Quando utilizado na culinária, este óleo pode aumentar Kapha; por isso deve ser cozido com ervas que diminuem Kapha, como a mostarda e o azeite. O óleo de coco é indicado para pessoas que habitam regiões quentes, pois possui propriedades refrescantes. Por causa disso, está indicado para pessoas com excitação sexual exacerbada. Na Índia, o coco é considerado uma fruta sagrada com muitas propriedades medicinais.



Óleo de mostarda:

É um óleo muito popular na Índia para massagem pois possui propriedades medicinais que aliviam a tensão e rigidez muscular sendo muito utilizado pelos lutadores e culturistas.
Actua purificando o sangue e eliminando toxinas, está indicado no caso de doenças de Kapha e Vata aumentado. O óleo de mostarda é untuoso, amargo, picante, forte e morno.
É um excelente medicamento para a queda de cabelos e pode ser usado nos casos de reumatismo, artrite e gota quando associado a cânfora.

Óleo de amêndoas doces

Este óleo é doce, untuoso, pesado e quente, sendo indicado nas desordens de Kapha. Seu uso na Índia é restrito devido ao seu alto custo, sendo utilizados por crianças e idosos.
Afirma-se no Oriente que se este óleo for colocado ao sol por 40 dias, em um frasco de vidro cor de laranja, assume propriedades especiais trazendo alegria, dissolvendo ansiedades e purificando o sangue.
Associado ao leite este óleo torna-se tónico, sendo muito utilizado como bebida pelos praticantes de artes marciais.


Óleo de Amla

O óleo de Amla é extraído de amla, também conhecida como a groselha indiana, uma árvore nativa do sul da Ásia.  É um símbolo de boa saúde e é adorado como uma fruta auspiciosa. Este fruto contém 20 vezes mais vitamina C que uma laranja.  É considerada uma das mais antigas do mundo condicionadores de cabelo natural. 

Benefícios do óleo de Amla
Podem impedir calvície e estimular o sono profundo.
O óleo de Amla é muito útil na melhoria da memória e do intelecto.
Previne, até mesmo trata as rugas, na uma extensão.
Previne o stress e o envelhecimento.
O óleo de Amla é bem conhecido por dar um efeito refrescante para a mente e o corpo.
Na massagem terapêutica dá uma sensação de frescor na pele semelhantes ao gel de aloe vera. Acredita-se que uma massagem no couro cabeludo aumenta o fluxo de oxigénio no cérebro e relaxa o sistema nervoso.
Tem o poder para tornar o cabelo mais forte, mais brilhante, mais macio e mais hidratado.
É usado para a prevenção de cabelos grisalhos. 
Também é conhecido por prevenir e queda de cabelo, caspa e também melhora o crescimento e pigmentação do cabelo.


Outros óleos:
GHEE - utilizado para massagem facial, pois elimina rugas.
É uma manteiga clarificada mas é utilizado em massagens e terapias como basti.
ÓLEO DE CAMOMILA - Auxilia nas dores musculares
ÓLEO DE COENTROS - elimina o excesso de calor corporal
ÓLEO DE CRAVINHO - auxilia nos problemas dentários e nas micoses de unha
ÓLEO DE SÂNDALO - é refrescante e promove a espiritualidade, auxilia na insônia, dor de cabeça e neurastenia
ÓLEO DE SEMENTE DE ABÓBORA - auxilia na insônia, ansiedade, memória deficiente.
ÓLEO DE GRAINHA DE UVA - está indicado na bronquite, reumatismo, alterações de pele, eczemas e é vermífugo.
ÓLEO DE BRAHMI - auxilia nos problemas do sistema nervoso, pois alivia Vata aumentado, ajuda a memória e melhora a insônia.
O Brahmi é uma espécie de Centella asiática, planta muito utilizada na fitoterapia indiana.







domingo, 21 de novembro de 2010

Aconselhamento Ayurvédico



O que é uma consulta ayurvédica ou aconselhamento terapeutico?

A Consulta Ayurvédica é um diagnóstico eficaz assente num programa individual e pessoal, projectado para si mesmo para a cura e manutenção da sua saúde.
Você é diferente de todas as outras pessoas, esta é uma noção da Ayurveda que cada um é em si só um caso de estudo.
A Ayurveda pode ser a receita para uma saúde perfeita e equilibrada. 
Mais de 50 aspectos diferentes da sua genética, corpo, mente e emoções são avaliados para determinar o seu tipo metabólico e bio-tipo. Vai aprender a maximizar a sua estrutura e conhecer as suas fraquezas.  Receberá uma lista de alimentos, ervas, óleos essenciais e estilos de vida que alterarão o seu modo de pensar e de estar na vida. 
Será informado sobre o controle de sua própria saúde e bem-estar e todos os problemas de ordem especial, que não tem resposta, nem são reconhecidos nos tratamentos tradicionais, serão atendidos. 

A saúde será de manutenção fácil e natural.


Os elementos que suportam o diagnóstico:

A Ayurveda numa primeira referência considera os doshas
Vata, Pitta, Kapha, Vata-Pitta ou Pitta-Vata, Pitta-Kapha ou Kapha-Pitta, Vata-Kapha ou Kapha-Vata e Vata-Pitta-Kapha.

Depois desta análise primária analisam-se os sub-doshas.


sub-doshas de vata
Prana Vata, Udana Vata, Samana Vata, Apana Vata e Vyana Vata.

Os sub-doshas Prana e Apana governam a entrada e saída da energia vital, também chamada prana. Samana direcciona o prana para os tecidos (força centrífuga) e Vyana (força centrípeta) o faz circular através do corpo. Udana representa nossa energia e motivação durante a vida.

Sub-doshas Pitta
Pachaka Pitta, Ranjaka Pitta, Sadhaka Pitta, Alochaka Pitta e Bhrajaka Pitta


Sub-doshas Kapha
Kledaka Kapha, Avalambaka Kapha, Bodhaka Kapha, Tarpaka Kapha, Shleshaka Kapha

 

Posteriormente são tidos em conta todos os elementos abaixo descritos conforme a necessidade de diagnóstico.




Diagnóstico da língua












Diagnóstico do pulso

Diagnóstico do rosto











Diagnostico dos olhos










Diagnóstico das unhas

diagnóstico da urina





No final

Análise das nadis – os canais subtis do corpo

Análise dos marmas – pontos prânicos do corpo



 






quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SHIRODHARA


Estamos no Outono, e com ele veio o vento seco e frio, nesta época é muito comum aparecerem os desequilibrios Vata ligados à mente como ansiedade e stress. Por isso a técnica ayurvédica shirodhara, é a escolha certa de um terapeuta quando interage com o paciente apresentando o quadro terapêutico para tratar o desequilíbrio neste dosha.

Da combinação de Shiro que significa cabeça e dhara fluxo resultou o Shirodhara. Terapia nascido na Índia há mais de 2000 anos, que continua a ser uma das terapias mais profundas e relaxantes da Medicina Ayurvédica, que consiste em colocar óleo (dependendo dos desequilíbrios a tratar) morno e medicado com ervas caindo em fluxo contínuo na região do Ajna Chakra (que fica entre as sobrancelhas) testa e têmporas, com movimentos lentos e precisos.


 É indicado para os três doshas da constituição humana (Vata, Pitta e Kapha), podendo ser praticado em todas as estações do ano, de preferência pela manhã entre 7h e 10hrs, ou entre 18 e as 22horas horário kapha. E seu resultado terapêutico é muito melhor quando é realizado após uma abhyanga (massagem).

É indicado para todos os problemas relacionados com a cabeça (onde vata se acumula): depressão, ansiedade, insónia, stress, dores de cabeça, fadiga, vertigem, perda da audição, podendo ser indicado para os três doshas (dependendo do líquido terapêutico utilizado) da constituição humana (Vata, Pitta e Kapha), podendo assim ser aplicado em todas as estações do ano.


Em desequilíbrios pitta como queda de cabelo, irritabilidade, sonhos violentos, e desequilíbrios Kapha como obesidade, sensação de peso e sono excessivo.

Esta terapia permite-nos relaxar até ao mais profundo do nosso ser. Desenraíza emoções vividas ao longo de anos, permitindo a abertura de um cofre que, frequentemente, se encontra fechado a “sete chaves”. 

Durante este tempo, a pessoa desfruta de momentos mágicos, que poderão passar por um estado de tranquilidade, de sono leve, profundo ou mesmo por um verdadeiro estado meditativo. Após uma única ou várias sessões, sentirá que algo mudou. A memória aclara, a concentração aumenta, a agitação da mente reduz, a ansiedade atenua e o corpo relaxa.
  
Todo o sistema é revitalizado. Dá-se uma verdadeira purificação e rejuvenescimento do corpo e da mente.

Pelo ayurveda, esta terapia optimiza a circulação de nutrientes no corpo e mente, o que permite traçar um caminho no sentido da longevidade.
  
O Shirodhara não deve, no entanto, ser dissociado de outras práticas, como adopção de um estilo de vida mais saudável, com base em alimentação, rotina diária, actividades físicas e mentais, entre outras.

O tempo do procedimento varia para cada dosha, assim como o tipo de óleo ou liquido utilizado.
Para Vata pode durar até 50 minutos e com óleo medicado
Para kapha o tempo é de no máximo 20 minutos, o óleo deve ser quente e leve
Para Pitta, aproximadamente 40 minutos usando um óleo de qualidade fria mas no Pitta o mais indicado seria o uso de butermilk ou leite medicado sendo nesse caso designado por Takradhara.

Aplicar shirodhara é uma meditação tanto para o terapeuta como para quem a recebe, o terapeuta sincroniza-se com o silêncio e o bem-estar do paciente. É necessário atenção e estar sincronizado na recolocação do óleo no pote (Dhara Patra) e no seu aquecimento, pois se estas condições não são observadas, podem desequilibrar ainda mais quem está a receber a terapia. O óleo não pode parar de cair sobre a testa do paciente, tão pouco deve variar a temperatura (dependendo do dosha).

UDWARTANA




Udwartana é uma massagem corporal profundamente penetrante efectuada com pó. Esta massagem de corpo inteiro utiliza um pó fino de plantas perfumadas, algumas delas são adstringentes e estimulantes do metabolismo. A mistura de ervas é executada com o objectivo de activar a camada dérmica e de penetrar nos poros.


Este pó, preparado com várias ervas (de acordo com o biótipo), limpa a pele, melhora a circulação, ajuda a perda de peso, tonifica os músculo e auxilia também na perda de peso após o parto. O seu poderoso efeito esfoliante vai activar a circulação, melhorar a drenagem linfática tendo também um resultado no tratamento da pele, tornando-a mais suave, vigorosa e tonificada. Os procedimentos são muito semelhantes á abhyanga mas mais revigorantes, utilizando movimentos pratiloma durante a massagem. Esta massagem é executada principalmente para pessoas com o dosha Kapha, podendo ser localizada - abdómen, coxas e glúteos.



Udwartana - indicações:
Eliminar toxinas
Melhora a circulação
Auxilia as pessoas com digestão lenta
Equilibra o dosha Kapha
Beleza, higiene e limpeza da pele
Aumenta a taxa metabólica do corpo
Activa e reforça dhatus (tecidos)
Elimina a fadiga do corpo 
Trata alguns problemas de pele
Oleosidade excessiva da pele
Sudorese excessiva
Letargia
Gordura localizada
Para enrijecimento do tecido subcutâneo.

Não deve ser usada em pessoas com:
Feridas na pele;
Constituição muito magra,
Pele seca


Existe sempre a dúvida de esta técnica ser designada massagem ou terapia como todos os tratamentos ayurvédicos, pois com a prescrição terapêutica e os efeitos obtidos faz com que seja considerada terapia.

Experimente algum dia.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ABHYANGA





Abhyanga  é uma massagem terapêutica que a ayurveda utliza para tratar os seus pacientes.  Nesta massagem terapêutica o corpo irá sendo coberto de óleo, utilizando posteriormente movimentos que serão executados de acordo com o biótipo do paciente.  Médicos e terapeutas ayurvédicos recomendam que todas as pessoas deveriam receber a massagem abhyanga de modo a manter o corpo equilibrado e saudável. Recomenda-se sempre que tanto os cursos como os locais onde são administradas estas terapias sejam locais certificados e específicos para que as pessoas possam desfrutar de todo o conhecimento, ambiente e sentido terapêutico.

De acordo com os princípios da Ayurveda, todas as pessoas tem um biótipo específico conhecido como dosha. Existem três doshas: vata, Pitta e kapha. A ideia de especificar o biótipo surge com a possibilidade de formular tratamentos numa base individual para os seus pacientes.  Numa abhyanga, o dosha vai determinar qual o tipo de óleo que se deve utilizar, e que tipo de ingredientes devem ser adicionados, tradicionalmente os óleos de gergelim, coco e girassol (entre outros) são comumente utilizados, juntamente com uma variedade de ervas.

A Abhyanga difere de muitas técnicas de massagem ocidental na medida em que ela é profunda, sendo executada para nutrir o corpo activando a circulação, nutrindo as articulações e penetrando profundamente nos tecidos moles do corpo, uma rotina regular de massagem abhyanga pode ser muito benéfica para a pele.

Segundo descrições no: Charaka Samhita,  Sushruta Samhita e Hrdayam Ashtanga
Os benefícios da Abhyanga são:

Diminui os efeitos do envelhecimento
Aumenta a longevidade
Dá uma boa visão
Nutre e fortalece o corpo
Trás benefícios para o sono
Benefícios para a pele
Dá uma firmeza às pernas
Tonifica e dá vigor aos dhatus (tecidos) do corpo
Estimula os órgãos internos do corpo, incluindo a circulação
Pacifica Vata e Pitta e harmoniza Pitta

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Alimentação Ayurvédiva





A alimentação ayurvédica

Simples, rápidas, saborosas e nutritivas, são todas as qualidades que procuramos hoje na confecção das nossas refeições. Há vários factores que determinam se essa refeição foi preparada segundo os princípios ayurvédicos.

Se é de fácil digestão?
Podem avós, netos, e todos os outros membros da família assimilar os nutrientes da refeição?
Quais os benefícios dos alimentos que ingerimos?  
O que qualifica de cozinha ayurvédica?




Agni
A palavra "Agni" refere-se a energia de fogo - uma energia transformadora. Quando comemos nossa digestão age como um forno onde são cozinhados os alimentos e transformados em sucos que nutrem os tecidos do corpo(dhatus). Dr. Vasant Lad escreve no seu livro de Ayurveda "Muitas e diferentes enzimas são responsáveis pela transformação dos alimentos em energia e a Ayurveda usa o agni termo que descreve estas enzimas e os processos metabólicos." Embora tendo em conta os alimentos e modo de preparação mais adequado à sua constituição, é necessário conhecer a força de seu agni. A maioria dos indivíduos Pitta tem uma boa digestão, um agni forte, enquanto as pessoas de biótipo Vata tendem a ser pessoas de digestão mais fraca e os indivíduos Kapha digerem lentamente. 
O melhor tempero para acender e aumentar o fogo digestivo é o gengibre.
A Ayurveda utiliza um composto chamado Trikatu que é uma mistura de gengibre, pimenta-longa, e pimenta preta para aumentar esse fogo digestivo. É entre as 11 e as 13horas que o fogo digestivo é maior e mais intenso, enquanto que à noite a fisiologia desacelera, assim, a melhor hora para comer a sua refeição principal é no meio-dia. Comer demasiado tarde e muito de noite quando o agni digestivo é baixo pode contribuir para aumentar AMA (toxinas não digerida). AMA leva ao aumento da doença.

 
A idade e seus alimentos 
A Ayurveda relaciona os biótipos as estações do ano e seus efeitos, isto não só se refere às estações do ano, mas também está relacionado com os ciclos de vida. À medida que a idade aumenta e diminui agni, aumenta Vata. Os alimentos para os idosos devem incluir sopa, alimentos mais quentes e densos, de fácil digestão, alimentos macios. Durante os anos em meio activo predomina Pitta enquanto Kapha está definido na infância e adolescência, sendo a de maior importância. Quando cozinhar para uma pessoa Pitta idades entre 20 e 50 anos devemos incluir os alimentos que pode mastigar e devem comer nas horas certa, pois os Pitta tendem à irritabilidade quando está com fome. Para Kapha na infância devemos evitar lacticínios frio pois vai aumentar o muco e a congestão. 
Ao coleccionar os alimentos de uma forma Ayurvédica deve escolher os alimentos e sua preparação de acordo com a temperatura, a estação do ano e do dia. Em dias frios de Inverno devemos utilizar especiarias quentes e grãos mais pesados podem ser usados, enquanto que no verão, os alimentos mais leves como saladas de frutas e vegetais pode ser apreciado com mais frequência (isto sem especificar as variáveis dos doshas).


 
Seis sabores
Ayurveda apresenta os alimentos em termos de seis sabores - doce, salgado, azedo, amargo, picante e adstringente. Quando cozinhar para uma pessoa Vata (ar e éter) deve considerar o uso de sabores salgado, doce e azedo, isto significa cozinhar com abóboras, inhame, batatas-doces por exemplo. Para Pitta(fogo) a estação mais complicada é o Verão necessitando de alimentos de sabor mais amargo, doce e adstringente. Um exemplo disso seria a de incluir mais vegetais verdes como couve, nabo e mostarda. Para os indivíduos de biótipo Kapha necessitam mais de sabores amargo, picante e adstringente pois este trazem-lhe mais equilíbrio, devendo evitar os alimentos doces e salgados.  Para os indivíduos Kapha o sal, doce, azedo devem ser evitados, enquanto a adstringência de feijão e o amargo das verduras tal com as especiarias picantes o equilibram.


Especiarias
Cúrcuma, cominho, gengibre e coentros são talvez as especiarias mais usadas na confecção de alimentos na cozinha Ayurvédica.
A Cúrcuma é amarga e adstringente. O gengibre é picante e aumenta o Agni, cominhos e coentros ajudar a digestão.


Chá Digestivo e Ayurveda Chai 
Cloves, Ayurvedic spice
Para fazer um chá que pode ser desfrutado por todos os doshas e que estimula a digestão coloque o gengibre finamente cortado, canela, alcaçuz, cardamomo, anis estrelado, cravinho e erva doce numa panela com água, deixe ferver e depois deixar em lume brando durante 20 minutos.
Beba ao longo do dia e entre as refeições.

A Ayurveda considera este chá como uma bebida de bom dia.
Para uma situação de convívio adicione leite e açúcar mascavado ou mel e desfrute de uma bebida intensa reconfortante e saudável.

Alguns destes temas vão ser abordados com maior profundidade em outros artigos.
No Pedra de Lua estamos a efectuar aconselhamento terapêutico, para que cada um possa ter uma forma alimentar que mais se adequa á sua característica individual


domingo, 31 de outubro de 2010

História da Ayurveda















Podemos classificar por períodos ou épocas a historia da Medicina Ayurvédica:



1 . Periodo Védico - de 4.000 a 2.000 a.C.:

- Este período refere-se ao tempo em que os mais antigos textos foram escritos, e onde está anotada toda a sabedoria, quer do passado, quer do presente, quer do futuro da Humanidade…, estes textos, são os VEDAS.


Assim, nos Vedas, estão descritas as leis que regem as energias do Universo, em sistema de verso (cânticos-mantras) a fim de mais facilmente serem memorizáveis e poderem ser transmitidos com segurança de geração em geração.

Estão divididos em 4 Vedas, que, por sua vez se subdividem:

Rig Veda

Yajur Veda

Sama Veda

Atharva Veda


Rig Veda

O documento mais antigo da literatura hindu, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades. Foi escrito por volta de 1700–1100 a.C. Pela sua data fazendo dele um dos mais antigos textos de quaisquer línguas indo-européias e um dos textos religiosos mais antigos do mundo. Encontramos já os principais conceitos de Ayurveda, como seja os 3 Grandes Deuses relativos às forças cósmicas: Indra-Agni e Soma, ligadas aos três importantes humores biológicos: Vata(ar), Pitta(fogo) e Kapha(água).


Yajur Veda,

(yajus"sacrifício" + veda "sabedoria, conhecimento")

Contém textos religiosos com foco na liturgia, rituais e sacrifícios, e como executar os mesmos. O Yajurveda foi escrito durante o período Védico entre 1500 a.C. e 500 a.C.. Temos já indicações sobre saúde e longevidade. Aqui são indicados os conceitos importantes dos tecidos (dhatus) e referenciados os 5 pranas (ou “sopros” vitais no nosso corpo).


Sama Veda

(sāman "canto ritual" + veda "sabedoria , conhecimento " )

O Samaveda fica em segundo lugar na santidade e importância litúrgica depois do Rigveda ou Veda da Louvação Recitada.

O seu Sanhita (samhita), ou porção métrica, consiste principalmente de hinos a serem cantados no intuito de trazer paz, serenidade, bem estar, etc..


Atharva Veda,

(Atharvān,tipo de sacerdote, e veda que significa “sabedoria, conhecimento").

De acordo com a tradição, o Atharvaveda foi principalmente composto por dois grupos de rishis conhecidos como os Bhrigus e os Angirasas.

É o texto védico com maior referência ao Ayurveda, que é considerado um Upaveda, isto é: um ramo do próprio Atharva Veda. Aqui encontramos indicações a ervas específicas, bem como tratamentos a doenças devidamente identificadas. Dá indicações para um dia-a-dia salutar, enquanto os outros Vedas se dedicam mais a partes metafísicas.


Os outros Upavedas, ligados á Ayurveda, são:

Dhanur Veda: É a ciência da guerra e das Artes Marciais

Sthapatya Veda ( vastu Shastra) : arquitectura e geometria sagrada

Gandharva Veda: É o estudo da estética e se fala de todas as formas de arte como música, dança, poesia, escultura e erotismo.

Arthashastra: com a administração pública, governo, economia e política.


Existe uma ligação directa entre Ayurveda e ramos dos Vedas, intitulados VEDANGAS(Vedas + Angas: ramos), que são:

Jyotish – Astrologia

Kalpa – Ritual

Shiksha – Pronúncia

Vyakarana – Gramática

Nirukta – Etimologia

Chandas – Métrica



Período de Desenvolvimento: 2000 – 300 a.C.

Após o desaparecimento da civilização Saravasti, os ensinamentos foram compilados ao longo dos tempos através de vários textos, sempre com respeito nos Vedas, como nosUpanishades, e outras obras chamadas samitas (compilações).

As mais importantes são:

Charaka Samhita

Sushruta Samhit

Ashtanga Hridaya


Estes três tratados conhecidos como os BRIHATTRAYI: Grande Trio

Charaka Samhita: «Compêndio de Charaka», trata dos princípios de fisiologia e anatomia do corpo humano, bem como dos sintomas de várias doenças, como diabetes e artrites.

Sushruta Samhita: «Compêndio de Sushruta», trata da cirurgia, onde se destaca a Escola de cirurgiões de Dhanvantari.

Muitas ervas medicinais e seus efeitos são também referenciados nestes tratados de Ayurveda.

Ashtanga Hridaya: quinta-essência dos oito ramos da Ayurveda, representa uma súmula dos dois compêndios anteriores, compilando também estudos e conhecimentos de outros médicos ayurvédicos


Os Oitos Ramos da Ayurveda – Ashtanga Ayurveda
Kayachikitsa – medicina interna

Shalyatantra – cirurgia

Shalakya Tantra - oftalmologia

Kaumarabhritya – pediatria

Agadatantra – toxicologia

Bhutavidya – psicologia

Rasayana – rejuvenescimento

Vajikarana – afrodisia



Período Clássico: Budismo e Ayurveda: 300 a.C – 1000 d.C.

O Budismo afectou todas as áreas da vida na Índia, dada a sua popularidade.

Vários médicos que seguiam o budismo, aplicaram os princípios de ambas as partes, coordenando a prática budista com a Ayurveda. Um dos mais famosos foi Nagarjuna, que escreveu comentários ao Sushruta, bem como fundou as bases das preparações alquimistas, conhecidas por Rasa Shastra.
Neste período os textos mais importantes de Ayurveda foram traduzidos para árabe, que muito influenciou a medicina Unani- o sistema médico Islâmico.



Período Medieval e o Declínio: 1000 – 1750 d.C.

A invasão e ocupação de quase todo o território indiano pelos Muçulmanos que durou até ao século XVIII, teve como consequência a perseguição e destruição da cultura local, Ayurveda incluída.

Centros universitários, hospitais, mosteiros, foram vítimas de toda esta época de ocupação.

Algumas obras surgiram como o Mahava Nidana que se debruça sobre o diagnóstico das doenças. Raja Nighantu e Madanpala Nighantu, são duas obras importantes sobre ervas.

No século XVI Bhavamishra, considerado o melhor académico da época, escreve um texto importante Bhava Prakasha.
É também durante desta época que acontecem os primeiros contactos com os ocidentais, sendo os portugueses os primeiros, depois os franceses e por último os ingleses.



Período da Ocupação Inglesa: 1750 – 1950 d.C.

A ocupação colonial pelos ingleses negou o Ayurveda fechando escolas existentes, obrigando a uma certa “clandestinidade”.

Era considerada uma medicina atrasada e ligada à superstição, que foi substituída pela medicina ocidental até à independência da Índia em 1949.



Ayurveda na Actualidade

Progressivamente, após a independência, a Ayurveda retoma a sua importância.

As universidades são novamente abertas, bem como os hospitais e clínicas. Toda a sua tradicional e científica sistematização é recuperada estando de novo implantada em toda a Índia e não só.


Países ocidentais interessam-se pelo seu estudo, tendo adquirido o estatuto de medicina sendo reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde).